quarta-feira, 10 de junho de 2009

Impressões do 3º Dia – Bento Gonçalves – Punta Del Este

















Hoje o dia amanheceu lindo e frio, muito frio! Conseguimos andar um pouquinho pela Vinícola antes de sairmos. O lugar vale a pena. Dá uma pena de ir embora e deixar um lugar desses pra trás sem explorá-lo, mas outros lugares e aventuras nos esperavam. Aos que gostam de um bom vinho, frio e um lugar tranqüilo fica a dica da Casa Valduga.
Montamos na moto bem cedo pois hoje tínhamos uma distância grande a vencer...quase 850 km até Punta!
Pra quem saiu apreensiva com a estrada, digo que neste trecho as surpresas foram outras: bem mais inocentes, mas não menos perigosas...A estrada melhora muito depois de Porto Alegre, mas aí tem a natureza ... e além do cuidado com o trânsito temos que redobrar a atenção com os animais que podem se tornar um problemão... Os pássaros ficam na beiradinha da pista e fazem revoadas quando sentem a vibração no asfalto, só que não dá pra prever mesmo pra onde eles pretendem voar. Acho que nem eles sabem. Nem imaginam que são aves suicidas. O fato é que alguns dão uns rasantes e fico imaginando o que uma porrada com um bichinho inocente desses não pode causar! Isso fora os bichos que cruzam a estrada. Estes não vimos nenhum , apenas os que tentaram e não conseguiram...
Mas teve uma hora que foi muito engraçada. Vimos que haviam umas aves na estrada e então o Beto reduziu pois eram grandes. Quando passamos por eles era um grupo de gansos e eles estavam muito bravos. Vieram na nossa direção como se pretendessem nos atacar...gente a cena foi muito engraçada e merecia uma foto.

Passamos pelo Chuí e lá pegamos a Carta Verde. Ela nos custou R$ 68,00. Depois paramos na fronteira com o Uruguai pra preencher o formulário de imigração e então saímos do Brasil. A paisagem do Uruguai acaba sendo uma extensão da paisagem do sul do nosso país, terras a perder de vista, enfim uma paisagem linda e frio, muito frio. Logo que passamos da fronteira o teto do céu fechou e baixou uma neblina que pela umidade acaba reduzindo mais a temperatura, e com a moto em movimento a sensação térmica é muito baixa mesmo. Eu quase não sinto frio....
À parte do frio, percebi que nossa dama de preto vem chamando muito mais atenção depois que cruzamos a fronteira. É impressionante como as pessoas olham por onde ela passa! Os homens na sua maioria...Chegam a formar grupos pra admirá-la e até fazem perguntas indiscretas...querem saber quanto ela custou! Por aí pude perceber como o Uruguai é um país mais humilde,carente, pelo menos nesta região próxima a fronteira.
Ainda tínhamos que vencer mais um percurso até chegar a Punta e fizemos este trecho final a noite. A estrada apesar de boa é chata de andar a noite por ser mão dupla. O bom é que vc fica tão atento ao trânsito que esquece um pouco o frio...
Chegamos em Punta e fomos pra Punta Ballena pra Casa Pueblo ... Há anos que tinha vontade de conhecer este lugar por acompanhar o trabalho de seu criador Carlos Paez Vilaró.
Nunca imaginei que um dia pudesse dormir neste lugar...eu não sabia que além do museu,havia o hotel... O lugar é especial pela sua localização, pela arquitetura, mas muito pela energia deste artista que é praticamente um devoto do sol e das mulheres.
Suas pinturas têm com certeza uma certa influência de Miró, Picasso, enfim do movimento surreal. Acho que ele pela liberdade com que produz não tem pretensão alguma de se “enquadrar” em algum estilo. Fiz a comparação porque realmente são estilos muito próximos.
A única sensação boa do frio é poder a noite encontrar um quarto e banho quentinhos. O lugar está vazio pois está em baixa temporada. Fico imaginando no verão esta construção toda branquinha encravada num morro com o mar aos seus pés. Deve ser uma delícia e também mais caro. Pagamos apenas U$ 75,00 pela nossa diária que na alta temporada pode chegar a U$ 300,00.
Ah! O Vilaró é um pintor, mas fez dois poemas : um sobre o por do sol e outro sobre a mulher que ele diz serem duas fontes de inspirações para o seu trabalho. O poema do por do sol é recitado toda a tarde via áudio durante o por do sol ...que deve ser de tirar o fôlego. Na sexta feira pernoitaremos por lá novamente e queremos chegar a tarde para assistirmos o famoso por do sol.
A noite fomos jantar na cidade e depois o Beto quis ir ao Conrad. Fomos de táxi pra variar um pouquinho. Gostei do cassino, mas como conheço outros e não sou muito ligada nisso prefiro mesmo o sossego da Casa Pueblo. O Conrad é um complexo pra badalação, e jogo... muito jogo. Karen e Lorets:, adivinhem se não lembrei do Vitor e do Daniel? Ah..adorei umas mesas de roleta que tinham o feltro cor de rosa!!! Brega pra caramba, mas eram rosa que eu adooro!
Amanhã o dia será mais tranquilo, pois rodaremos de moto apenas 300 km até Buenos Aires.

Um comentário:

  1. Ahhh...sabia que você ia adorar a Casa Pueblo!!Foi um lugar que quando eu conheci, a primeira pessoa em quem pensei foi você..
    beijo

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